Vibe Coding: será que rola?

Vibe Coding: será que rola?

Vibe Coding: será que rola?

Japa Tela Preta #1

Estou abrindo aqui uma série de posts chamada de Japa Tela Preta, uma brincadeira entre ação, minha descendência e terminais de computadores. Espero que gostem.

Outro dia eu resolvi fazer um teste meio direto ao ponto. Sem montar time, sem sprint, sem aquela liturgia toda de desenvolvimento de produto. A ideia era simples: até onde dá pra ir usando IA como copiloto de verdade?

Abri o VSCode com Copilot, escolhi Next.js no front porque já estou confortável, e antes de sair pedindo código feito um maluco, parei alguns minutos pra organizar o jogo. Defini o que eu queria construir, escrevi algumas diretrizes e quebrei tudo em 10 prompts bem objetivos. Nada de prompt mágico, só clareza do que precisava acontecer em cada etapa.

O fluxo ficou interessante: a cada prompt, eu pedia pra IA planejar o próximo passo e executar o anterior. Meio que um “pensa na próxima jogada enquanto resolve essa aqui”. E fui seguindo isso com uma disciplina quase mecânica.

O objetivo era construir um app de booking de aulas de dança com integração com Google Calendar, check-in e uma visualização básica da grade de horários. Nada absurdo, mas também não era um “hello world gourmet”.

Comecei com uma pasta vazia. Zero código. Só instrução.

E fui rodando os prompts.

Dez prompts depois… o app estava funcionando. Interface pronta, fluxo de agendamento rodando, integração acontecendo. Não era perfeito, claro, mas era real. Usável. Tangível. E rápido de um jeito que, sendo bem honesto, há pouco tempo simplesmente não existia.

Aí vem a parte que dá aquela inflada no ego — e também onde mora o perigo. Porque quando você vê algo funcionando tão rápido, a tendência natural é pensar: “ok, isso aqui vira produto”. Só que não é bem assim.

O que saiu dali foi um ótimo MVP. Sério, excelente mesmo pra validar ideia, testar fluxo, mostrar pra alguém e entender se faz sentido. Mas ainda está longe de ser um produto de verdade. E a diferença entre essas duas coisas não está na tela, está no que ninguém vê.

Porque produto mesmo envolve uma camada inteira que não aparece nesse tipo de experimento: arquitetura pensada, domínio bem modelado, estratégia de persistência, segurança, testes, observabilidade, capacidade de escalar sem quebrar… é outra liga. É isso que sustenta quando começa a entrar usuário de verdade, dinheiro, expectativa.

E é aqui que muita gente se engana. Vibe coding é uma ferramenta absurda pra tirar ideia da cabeça e colocar no mundo com velocidade. Isso, sozinho, já é uma vantagem competitiva enorme hoje. Mas transformar isso em algo que aguente operação é outro jogo, que exige engenharia de produto de verdade.

No fim, o aprendizado é bem simples, mas pouca gente encara com essa clareza: MVP serve pra validar. E quanto mais rápido você valida, melhor. Mas produto é o que sustenta a empresa. E saber o momento de fazer essa transição é o que separa um experimento legal de um negócio que realmente para de pé.

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Willian Sanada