O problema não é falta de bem-estar. É o excesso de fricção.

O problema não é falta de bem-estar. É o excesso de fricção.

Nunca tivemos tantas opções de bem-estar disponíveis. E nunca foi tão difícil sustentar hábitos saudáveis.

Hoje existem milhares de academias, apps, aulas, meditações guiadas, vídeos, conteúdos e benefícios corporativos voltados para saúde física e emocional.

Mesmo assim, ansiedade, burnout, solidão e exaustão mental continuam crescendo, impactando pessoas, empresas e a economia global.

A OMS estima que depressão e ansiedade geram uma perda de cerca de US$ 1 trilhão por ano em produtividade no mundo.

São bilhões de dias produtivos perdidos anualmente. No Brasil, os afastamentos relacionados à saúde mental continuam crescendo.

E talvez o problema não seja falta de informação, mas o excesso de fricção.

Em 2023, um grupo de amigos se reuniu com uma causa em comum. Entre eles, especialistas em tecnologia, ciência de dados, inovação, médicos, professores de dança e personal trainers.

Todos trabalhavam com alta performance. Todos acreditávamos em tecnologia. E todos já tinham vivido algum nível de exaustão emocional, ansiedade ou Burnout ao longo da carreira.

O mais curioso é que eles cuidavam da saúde de outras pessoas diariamente, nos consultórios, nas salas de dança, nas academias, ou em conversas profundas nos cafés e corredores das empresas.

Fui eu quem reuniu esse grupo, depois de perceber uma contradição difícil de ignorar: Em diferentes contextos e momentos de vida, mesmo sabendo o que faz bem, sustentar hábitos saudáveis no meio da rotina é muito mais difícil do que parece.

A partir de observações, pesquisas e entrevistas, surgiu o Painel de Emoções – uma iniciativa para ajudar as pessoas a compreender seu estado emocional e criar consciência sobre humor, energia e comportamento.

Mas, ao longo do processo, percebemos algo ainda maior. O problema não era apenas entendimento emocional. Era ação.

As pessoas sabem que precisam se cuidar. Mas estão cansadas. Sobrecarregadas. Sem tempo. Sem energia mental para decidir.

E aquilo que deveria gerar bem-estar acaba virando mais uma tarefa.

Foi aí que começamos a encontrar respostas para uma nova pergunta: E se a inteligência artificial pudesse ser usada não apenas para automatizar trabalho, mas para reduzir a fricção entre intenção e comportamento?

E assim nasceu a Emotiva.

Não como uma IA para substituir terapeutas. Nem como mais um aplicativo de wellness.

Mas como uma tentativa de usar inteligência artificial de forma mais humana, contextual e prática, ajudando pessoas a encontrar atividades compatíveis com seu momento emocional, reduzir a carga mental, e transformar pequenas decisões de bem-estar em algo mais possível dentro da vida real.

Estamos cercados de informação sobre saúde e bem-estar. Eu acredito que o próximo passo da IA seja ajudar a transformar a intenção em comportamento sustentável.

Porque todo mundo sabe o que faz bem. O desafio é conseguir trazer para a vida real.

Essa é a reflexão que vamos levar para o WebSummit 2026.

Foto de Lilian Sanada
Lilian Sanada